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sexta-feira, 1 de março de 2013

o que é "au pair"?

Eu comecei a pensar que talvez seja interessante eu explicar o que é "au pair", já que o ultimo post deu a entender que é uma "empregada-escrava". Não é!  (Ok, ok, algumas de vocês vão dizer que é sim! hahaha)
Mas enquanto eu não vivi a experiência na prática, eu só posso me basear na teoria, então dá-lhe resuminho da Wikipedia:
O título vem do termo Francês "au pair", significando "a par" ou "igual", indicando que a relação se destina a ser um entre iguais: a au pair trata-se de um "membro da família" (embora a título temporário) e não de um doméstico. Na melhor das circunstâncias, ambas as partes beneficiam-se aprendendo sobre a cultura do outro.
Au pair é um programa de intercâmbio cultural, com duração média de doze meses para jovens, normalmente do sexo feminino (porém existem também do sexo masculino). O nome refere-se à igualdade de condições oferecidas pelo programa de intercâmbio.
A au pair é recebida em um país de língua estrangeira por uma família com crianças, onde recebe moradia, uma bolsa de estudos (geralmente do idioma local). Tem como responsabilidade o cuidado com a(s) criança(s) da família anfitriã e ajuda com parte dos trabalhos domésticos da casa. É uma oportunidade para jovens que querem conhecer um novo país, aprender uma nova língua e garantir um trabalho remunerado neste processo.

Uma au pair deve ser tratada como uma parte igual da família, não como um servo e não deve ser obrigada a usar uniforme. Não pode haver mal-entendidos em ambos os lados sobre o que isso significa. A prática usual é que a au pair faça suas refeições com a família na maior parte do tempo e participe das atividades habituais, como passeios e viagens. No entanto, a família anfitriã normalmente espera ter algum tempo para si mesma, privado, especialmente à noite. Durante esse tempo, a au pair pode retornar a seu quarto para assistir televisão ou estudar, ou sair com amigos.
Existem limites quanto às horas trabalhadas, estabelecidos pelo governo de muitos países. À au pair é dado um subsídio mensal e todas as despesas são pagas pela família anfitriã.
Au pairs combinam cuidados com as crianças e alguns serviços de casa leve. Elas/eles não são responsáveis por serviços de casa que não estejam relacionados com as crianças ou com as áreas de convivência em comum que sejam mantidas arrumadas por todos os membros da família.
Os deveres de uma au pair geralmente incluem:

  • Acordar as crianças
  • Levar e/ou pegar as crianças na escola
  • Ajudar com o dever de casa
  • Brincar com as crianças
  • Levar a criança para passear em parques, grupos de brincadeira ou outras atividades
  • Preparar refeições leves para as crianças
  • Lavar e passar as roupas das crianças
  • Arrumar as camas das crianças
  • Limpar o banheiro das crianças
  • Manter a cozinha arrumada e limpa, incluindo varrer e passar pano no chão
  • Compras leves
Olha só, acho que eu não preciso explicar muito mais que isso não, né?
Entro nos detalhes sobre o programa numa próxima postagem!

xoxo

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

eerste bericht : "opér"

Oi, pessoas lindas desse meu Brasil varonil. :D

Meu nome é Bea (daí o "beau pair", "bea.upair", "be au pair"; hã hã, entendeu?) e como o próprio nome do blog já diz, esse blog irá tratar dos meus causos de au pair. Não, eu não sou au pair. Ainda. Mas eu pretendo ser, em 2014, nos Países Baixos.

Então, para iniciar em grande estilo, eu lhes apresento "Suflê de Chuchu", um texto do Luis Fernando Veríssimo (de onde saiu o "Opér" do nome do post).

Houve uma grande comoção em casa com o primeiro telefonema da Duda, a cobrar, de Paris. O primeiro telefonema desde que ela embarcara, mochila nas costas (a Duda, que em casa não levantava nem a sua roupa do chão!), na Varig, contra a vontade do pai e da mãe. "Você nunca saiu de casa sozinha, minha filha! Você não sabe uma palavra de francês!"  "Vou e pronto." E foi. E agora, depois de semanas de aflição, de "onde anda essa menina?", de "você não devia ter deixado, Eurico!", vinha o primeiro sinal de vida. Da Duda, de Paris.

-Minha filha...

- Não posso falar muito, mãe. Como é que se faz café?

- O quê?

- Café, café. Como é que se faz?

-Não sei, minha filha. Com água, com... Mas onde é que você está, Duda?

- Estou trabalhando de "au pair" num apartamento. Ih, não posso falar mais. Eles estão chegando. Depois eu ligo. Tchau!

O pai quis saber detalhes. Onde ela estava morando?

- Falou alguma coisa sobre "opér".

- Deve ser "ópera". O francês dela não melhorou...

Dias depois, outra ligação. Apressada como a primeira. A Duda queria saber como se mudava fralda. Por um momento, a mãe teve um pensamento louco. A Duda teve um filho de um francês! Não, que bobagem, não dava tempo. Por que você quer saber, minha filha?

- Rápido, mãe. A criança tá borrada!

Ninguém em casa podia imaginar a Duda trocando fraldas. Ela, que tinha nojo quando o irmão menor espirrava.

- Pobre criança... - comentou o pai.

Finalmente, um telefonema sem pressa da Duda. Os patrões tinham saído, o cagão estava dormindo, ela podia contar o que estava lhe acontecendo. "Au pair" era empregada, faz-tudo. E ela fazia tudo na casa. A princípio tivera alguma dificuldade com os aparelhos. Nunca notara antes, por exemplo, que o aspirador de pó precisava ser ligado numa tomada. Mas agora estava uma opér "formidable". E Duda enfatizara a pronúncia francesa. "Formida-ble". Os patrões a adoravam. E ela tinha prometido que na semana seguinte prepararia uma autêntica feijoada brasileira para eles e alguns amigos.

- Mas, Duda, você sabe fazer feijoada?

- Era sobre isso que eu queria falar com você, mãe. Pra começar, como é que se faz arroz?

A mãe mal pôde esperar o telefonema que a Duda lhe prometera, no dia seguinte ao da feijoada.

- Como foi, minha filha. Conta!

- Formidable! Um sucesso. Para o próximo jantar, vou preparar aquela sua moqueca.

- Pegue o peixe... - começou a mãe, animadíssima.

A moqueca também foi um sucesso. Duda contou que uma das amigas da sua patroa fora atrás dela, na cozinha, e cochichara uma proposta no seu ouvido: o dobro do que ela ganhava ali para ser opér na sua casa. Pelo menos fora isso que ela entendera. Mas Duda não pretendia deixar seus patrões. Eles eram uns amores. Iam ajudá-la a regularizar a sua situação na França. Daquele jeito, disse Duda a sua mãe, ela tão cedo não voltava ao Brasil.
É preciso compreender, portanto, o que se passava no coração da mãe quando a Duda telefonou para saber como era a sua receita de suflê de chuchu. Quase não usavam o chuchu na França, e a Duda dissera a seus patrões que suflê de chuchu era um prato típico brasileiro e sua receita era passada de geração a geração na floresta onde o chuchu, inclusive, era considerado afrodisíaco. Coração de mãe é um pouco como as Caraíbas. Ventos se cruzam, correntes se chocam, é uma área de tumultos naturais. A própria dona daquele coração não saberia descrever os vários impulsos que o percorreram no segundo que precedeu sua decisão de dar à filha a receita errada, a receita de um fracasso. De um lado o desejo de que a filha fizesse bonito e também - por que não admitir? -uma certa curiosidade com a repercussão do seu suflê de chuchu na terra, afinal, dos suflês, do outro o medo de que a filha nunca mais voltasse, que a Duda se consagrasse como a melhor opér da Europa e não voltasse nunca mais. Todo o destino num suflê. A mãe deu a receita errada. Com o coração apertado. Proporções grotescamente deformadas. A receita de uma bomba.

Passaram-se dias, semanas, sem uma notícia da Duda. A mãe imaginando o pior. Casais intoxicados. Jantar em Paris acaba no hospital. Brasileira presa. Prato selvagem enluta famílias, receita infernal atribuída à mãe de trabalhadora clandestina, Interpol mobilizada. Ou imaginando a chegada de Duda em casa, desiludida com sua aventura parisiense, sua carreira de opér encerrada sem glória, mas pronta para tentar outra vez o vestibular.
O que veio foi outro telefonema da Duda, um mês depois. Apressada de novo. No fundo, o som de bongôs e maracas.

- Mãe, pergunta pró pai como é a letra de Cubanacã! -Minha filha...

- Pergunta, é do tempo dele. Rápido que eu preciso pro meu número.

Também houve um certo conflito no coração do pai, quando ouviu a pergunta. Arrá, ela sempre fizera pouco do seu gosto musical e agora precisava dele. Mas o segundo impulso venceu:

- Diz pra essa menina voltar pra casa. JÁ!

Espero que mamãe nunca me dê uma receita errada.
Por enquanto, "thats all, folks!"

Tot ziens! 

PS: a imagem do layout eu roubei do google mesmo (NÃO ME PROCESSE, EU SOU "AU POOR") e editei até ficar assim :3